Ser católico
Luís Ferro Meneses
Querer ou não ser católico tem muito a ver com a nossa experiência pessoal, com a família em que nascemos, com a religião que nos foi melhor ou pior ensinada e com os católicos que conhecemos. E a história da Igreja Católica, com as atrocidades que cometeu nos períodos em que foi poder, afastou muitos de lhe querer pertencer.
Não foi esse o meu caso.
Nascido numa família em que ir à missa era mais do que uma tradição ou obrigação social, tendo pressentido o sagrado numa igreja como o Mosteiro de Alcobaça, tocado pelos ventos de mudança trazidos pelo Concílio Vaticano II, pratiquei um catolicismo comprometido e comunitário na Acção Católica no início dos anos 70 do século passado.
É certo que depois disso me afastei da Igreja Católica, desiludido com a sua inércia e cumplicidade com os poderes de então. E com uma prática religiosa distante e ritualista.
Regressei mais tarde, por voltas da vida e quando compreendi que a Igreja é muito diversa e tem espaços e comunidades mais abertos e mais próximos das interrogações que hoje nos colocamos. Grupos como o Metanoia, comunidades como a Capela do Rato em Lisboa e a Igreja de Santa Isabel.
Tive também a felicidade de, mais tarde, conhecer o padre Tolentino Mendonça, hoje Cardeal e uma figura conhecida em Portugal como poeta e cronista do Expresso, e de ver chegar o Papa Francisco, em 2013.
Porque quero ser católico?
Porque anseio por um Deus de Amor, um Pai que nos proteja e conforte nos momentos de desânimo.
Porque a Igreja Católica é cada vez menos uma instituição de poder e cada vez mais uma organização que pretende estar ao serviço dos outros.
Porque pertenço a uma pequena comunidade, na Capela do Rato, que procura pontes entre crentes e não crentes, entre fé e cultura, entre razão e espiritualidade.
Porque sinto sede de algo que transcenda a nossa efémera vida humana.
Porque nunca segui a religião católica como um conjunto de regras e preceitos que se sobrepusesse à minha consciência e me impedisse de fazer o que considerava justo.
Porque o meu Deus é um Deus que dança.
Porque o catolicismo me abre para um mundo de espiritualidade e transcendência que me faz falta.
Porque ser católico é exigente e tem muito caminho para andar.
Porque nunca estou sozinho.
Porque católico é mais para se querer do que para se ser - a fé nunca é garantida e recorta-se sempre sobre um fundo de dúvidas e inquietações.
Como refere o teólogo checo contemporâneo, Tomás Halík, no seu livro “Quero que Tu sejas”:
“Há vários anos que me sinto fascinado com uma definição do amor que é atribuída a Santo Agostinho: amo: volo ut sis (Amo-te: quero que Tu sejas!). Tentarei demonstrar que podemos aplicar essa “definição” tanto ao amor por um ser humano como ao amor a Deus.”.
E ainda:
“Se a nossa razão (ou, mais precisamente, a racionalidade moderna) nos deixa num estado de incerteza, podemos fazer a nós próprios a pergunta simples, mas fundamental: eu quero que Deus seja ou que Deus não seja?”. Esta pergunta espera uma resposta proveniente das maiores profundezas do nosso coração, do próprio núcleo do nosso ser. Talvez a resposta a essa pergunta seja muito mais importante do que a nossa resposta à pergunta que as pessoas nos fazem, ou seja, a nossa opinião sobre se Deus existe ou não.”
Nascido numa família em que ir à missa era mais do que uma tradição ou obrigação social, tendo pressentido o sagrado numa igreja como o Mosteiro de Alcobaça, tocado pelos ventos de mudança trazidos pelo Concílio Vaticano II, pratiquei um catolicismo comprometido e comunitário na Acção Católica no início dos anos 70 do século passado.
É certo que depois disso me afastei da Igreja Católica, desiludido com a sua inércia e cumplicidade com os poderes de então. E com uma prática religiosa distante e ritualista.
Regressei mais tarde, por voltas da vida e quando compreendi que a Igreja é muito diversa e tem espaços e comunidades mais abertos e mais próximos das interrogações que hoje nos colocamos. Grupos como o Metanoia, comunidades como a Capela do Rato em Lisboa e a Igreja de Santa Isabel.
Tive também a felicidade de, mais tarde, conhecer o padre Tolentino Mendonça, hoje Cardeal e uma figura conhecida em Portugal como poeta e cronista do Expresso, e de ver chegar o Papa Francisco, em 2013.
Apesar de considerar a dimensão religiosa inerente à natureza humana e o sagrado uma experiência ao alcance de todos, seja na contemplação da natureza seja em obras criadas pelo homem, de que é exemplo maior a Paixão Segundo São Mateus, reconheço que o catolicismo é hoje a opção de uma minoria.
Porque quero ser católico?
Porque anseio por um Deus de Amor, um Pai que nos proteja e conforte nos momentos de desânimo.
Porque a Igreja Católica é cada vez menos uma instituição de poder e cada vez mais uma organização que pretende estar ao serviço dos outros.
Porque pertenço a uma pequena comunidade, na Capela do Rato, que procura pontes entre crentes e não crentes, entre fé e cultura, entre razão e espiritualidade.
Porque sinto sede de algo que transcenda a nossa efémera vida humana.
Porque nunca segui a religião católica como um conjunto de regras e preceitos que se sobrepusesse à minha consciência e me impedisse de fazer o que considerava justo.
Porque o meu Deus é um Deus que dança.
Porque o catolicismo me abre para um mundo de espiritualidade e transcendência que me faz falta.
Porque ser católico é exigente e tem muito caminho para andar.
Porque nunca estou sozinho.
Porque católico é mais para se querer do que para se ser - a fé nunca é garantida e recorta-se sempre sobre um fundo de dúvidas e inquietações.
Como refere o teólogo checo contemporâneo, Tomás Halík, no seu livro “Quero que Tu sejas”:
“Há vários anos que me sinto fascinado com uma definição do amor que é atribuída a Santo Agostinho: amo: volo ut sis (Amo-te: quero que Tu sejas!). Tentarei demonstrar que podemos aplicar essa “definição” tanto ao amor por um ser humano como ao amor a Deus.”.
E ainda:
“Se a nossa razão (ou, mais precisamente, a racionalidade moderna) nos deixa num estado de incerteza, podemos fazer a nós próprios a pergunta simples, mas fundamental: eu quero que Deus seja ou que Deus não seja?”. Esta pergunta espera uma resposta proveniente das maiores profundezas do nosso coração, do próprio núcleo do nosso ser. Talvez a resposta a essa pergunta seja muito mais importante do que a nossa resposta à pergunta que as pessoas nos fazem, ou seja, a nossa opinião sobre se Deus existe ou não.”


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